EBDM em Sampa – proposta terno

Recentemente, um amygo me liga do nada e convida pra passar o feriadão em Sampa. Sabe quando vc anda TEMÇO com as coisas do trabalho e precisa relaxar? Poisé. Assim estava eu, e o convite veio no momento certo. Num flash, já havia parcelado minhas passagens em 36x no cartão C&A.

Madrugada de sexta. Horas antes da viagem, de malas prontas, reconheci que não pude programar quase nada… mas não havia mais tempo. Paciência. Despretensiosamente, abri um desses sites de relacionamento pra ver as ~propostas~ da terra da garoa, rs. Um perfil me chamou a atenção. A descrição – sem divagações, frases de para-choque e textinhos do Orkut – era breve, mas densa, e totalmente em inglês. Nas fotos, vários lugares do mundo. Ele era aquela proposta com carinha de gente boa, calado-que-se-garante… bom, não demorou nada e eu já tava fazendo a bilíngue, mandando um “hi”, rs. Ele respondeu, e assim começamos a trocar uma idéia para checar as afinidades… após o basicão, sem delongas, disse que chegaria lá em algumas horas, e que gostaria de conhecê-lo. Ele achou interessante, e marcamos num certo ponto da Paulista, que seria conveniente para ambos.

Admirado com a dinâmica da vida (e com a minha coragem, rs), às 18 h da sexta, lá estava eu todo trabalhado na gola pólo, no relojão e no perfume. As pessoas andando para lá e para cá, apressadas, indiferentes… e eu parado, esperando o bofe. Meu telefone toca. Imprevisto? Espero que não, rs. Do outro lado, uma voz amigável, e um inglês bastante claro.

– Good evening! How are you doing?

– Fine, thanks! What about you?

– Great! Hey buddy, I just arrived here.

– Where?

– Ah, here you are!

Lá vem o bofe saindo do metrô. Sorrisão, todo simpático, aperto de mão firme… e um detalhe importante: terno e gravata.

*todas treme com terno e gravata*

Após aquela conferida básica junto ao sorriso de boas-vindas, giramos os calcanhares e saímos caminhando pela Paulista. Falamos sobre amenidades, algumas notícias atuais… trocamos opiniões sobre um músico de rua, um cartaz de uma exposição… com a evolução da conversa, passei a fazer perguntas que poderiam soar invasivas se fossem colocadas no primeiro momento, virtual. Embora o local onde nascemos não queira dizer absolutamente nada sobre nós, rs, perguntei de onde ele é. Para a minha grande surpresa, descobri que o bofe é mineiro! :o Claro que morou muitos anos na Europa, onde adquiriu o inglês perfeito… mas enphim, rs. Após a poker face de quem poderia estar falando português desde o começo, seguimos compartilhando um pouco da história de cada um, quando decidimos sentar num bar da Augusta.

Brindamos. Ele me falava do quanto havia se dedicado ao seu casamento na Europa, especialmente por ser sócio do seu marido nos negócios – motivo pelo qual não se interessou em entrar numa universidade. Disse que vieram as crises, e tudo acabou. Frustrado, voltou para o Brasil, e começou a trabalhar com hotelaria, dada a sua habilidade com idiomas. Era recepcionista de hotel. Eu estava contente por ter, de alguma forma (?), conquistado a confiança do bofe, ao ponto de ouvir sua história com tanta transparência. Bom, entendemos ali que nada vem por acaso. As experiências que ele adquiriu lá seriam necessárias para momentos futuros de sua vida. Portanto, tudo foi válido. Estimulei o bofe, para que buscasse novas qualificações profissionais que, somadas ao seu background, o levariam para posições cada vez mais estáveis. Lembrei que é sempre bom estar atento ao aparecimento de um novo marydo, rs! Brindamos novamente, e diluímos esse tema com goles de cerveja gelada.

Nessa altura do campeonato, estava claro que a gente se curtiu e tal, que a conversa tava interessante… mas todos continuavam na defensiva, rs. Nada que a bebida não resolva, não é meshmo?! Após algumas canecas, o bofe encostou o pé discretamente por baixo da mesa, esboçando uma carícia, e minha orelha ficou logo avermelhada (sim, minhas fucking orelhas me denunciam, rs)… como sabemos, a bebida entra e a verdade sai. Ele mandou a real, dizendo que gostaria de ficar mais ~à vontade~ comigo… e eu também queria, ele sabia. Eram quase 23 h, e meu amygo (que estava ciente de toda a situ) deveria estar preocupado. Fui ao banheiro, e peguei o celular para fazer os updates… meu amygo, radiante com as novidades, fez algumas recomendações básicas, e foi enfático ao dizer “VAI, MULHÉ!”. Abafei o riso, rs.

Eu e a proposta terno saímos do bar e seguimos pela Augusta, entrando dignamente num desses motéis urbanos discretos e higiênicos, rs.

O lelelê foi apenas razoável – meu nome é sinceridade, rs. O bofe era muito parado, e não beijava bem :(

Após lavar as dobrinhas, fomos dormir abraçados, mas dei uma voadora ninja me afastei quando o bofe começou a roncar. Superável. Acordamos lymdas e descabeladas, nos preparamos e saímos. Ele trabalharia logo mais, eu iria me perder pela cidade. Caminhando, ele diz que adorou a noite anterior, que quer me ver esses dias e tal, e que gostaria de ir pra alguma festa comigo… achei phopho.

De fato, nos encontramos nos dias seguintes. Em tempo: nada de motel urbano na Augusta, ok?! xp Tava mais pra romancinho mesmo. No sábado, fomos para a festa Gambiarra com um amygo dele (meu amygo não foi, pois estava com uma outra proposta, em outra festa, rs). Dançamos, bebemos, beijamos. A vida é agora, e que seja eterno enquanto durem esses 3 dias em Sampa, rs! Voltei pro hotel após a festa, e encontrei meu amygo dormindo todo esparramado, com aquela expressão de quem estava aproveitando a viagem também, rs. No domingo, encontrei a proposta terno para almoçar num shopping. Comemos direitinho. Pela fachada de vidro, vi um céu carregado. Clima de despedida? Saímos. Caminhamos até o metrô, se lambuzando com a casquinha de sorvete. Ao cruzar a rua, ele diz que trouxe uma pequena lembrança, e me entregou uma foto impressa retirada de sua pasta. :o Disse que gostaria que eu lembrasse dele, e olhar para a foto seria a melhor forma… SHOREY MONANGE com essa atitude! Como não amar a surpresa anos 90?! <3 Ficamos abraçados por alguns segundos, sorrindo.

Entramos no metrô juntos, mas seguiríamos por linhas com sentidos opostos. Ele entrou no trem e deu uma última olhada pra trás, antes que a porta se fechasse… após o apito, o trem seguiu velozmente, serpenteando pelo subsolo paulistano, conduzindo-o para seu destino.

No fundo(OI?), existiam alguns pontos que ele precisava trabalhar, mas o bofe me conquistou no papo, no jeitinho e tal… e o saldo foi positivo. Hoje mantemos contato eventual, apenas por telefone. Ele fala de uma possível vinda ao Ryo. E eu continuo na busca do marydo, rs.

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